A história da literatura brasileira tem início em 1500, com a Carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, enviada a D. Manuel I, comunicando a descoberta das terras brasileiras.
Podemos dividir as obras deste período entre as que se enquadram na literatura informativa, da qual fazem parte os textos sobre o Brasil, transmitindo ao europeu informações da terra e da gente que aqui vivia, e as que integram a literatura jesuítica, reunindo os escritos dos jesuítas envolvidos com a catequese.
Então lançamos fora os batéis e esquifes1;
e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitãomor, onde
falaram entre si. E o Capitãomor mandou em terra no batel a Nicolau
Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá,
acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira
que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte
homens.
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas2.
Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o
batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os
pousaram.
Ali
não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar
quebrar na costa. Somente deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça3
de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um
sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha pequena de
penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramal
grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira4,
as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se
volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por
causa do mar.
(...)
(PEREIRA, Paulo Roberto. Os três únicos testemunhos
do descobrimento do Brasil, Rio de Janeiro: Lacerda,
1999.)
do descobrimento do Brasil, Rio de Janeiro: Lacerda,
1999.)
1 Batéis e esquifes: pequenas embarcações que serviam às naus, espécies de canoas.
2 Vergonhas: órgãos sexuais do corpo humano.
3 Barrete e carapuça: coberturas para a cabeça utilizadas pelos marinheiros; gorros.
4 Ramal e aljaveira: “ramal” é o colar ou rosário; “aljaveira” é uma concha marinha utilizada pelos tupinambás para formar colares.
2 Vergonhas: órgãos sexuais do corpo humano.
3 Barrete e carapuça: coberturas para a cabeça utilizadas pelos marinheiros; gorros.
4 Ramal e aljaveira: “ramal” é o colar ou rosário; “aljaveira” é uma concha marinha utilizada pelos tupinambás para formar colares.
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